Dor no sexo é normal?

Dra Juliana Teixeira Ribeiro • 29 de junho de 2023
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Apesar das expectativas de prazer nos momentos de intimidade com o parceiro, é comum que algumas mulheres enfrentem dor no sexo em algum momento de suas vidas.



Essas dores podem ter diversos motivos e afetam tanto o prazer sexual quanto a saúde emocional e física da mulher.


É importante ressaltar que a dor durante o sexo não é normal e deve ser investigada assim que for percebido qualquer sinal de incômodo.


Então, entenda melhor neste artigo quais são as possíveis causas da dor no sexo e como buscar tratamento.


Dor no sexo – o que pode ser?


A dor durante a relação sexual, também conhecida pelo nome de dispareunia, pode afetar mulheres em todas as fases da vida e ser causada por diversos fatores, incluindo questões físicas, emocionais e psicológicas.


No entanto, por vergonha ou desinformação, muitas mulheres acabam não buscando ajuda para investigar qual a condição por trás do incômodo. 


De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), por volta de 39,5% das mulheres brasileiras entre 40 e 65 anos são afetadas pela dispareunia.


Assim, classificamos essa dor entre:


  • Superficial ou de Penetração: é a dor que ocorre no momento da penetração e em torno da vulva ou entrada da vagina;
  • Profunda ou de Profundidade: é a dor sentida durante a movimentação do pênis, quando este tem contato com os órgãos genitais internos, geralmente no fundo da vagina ou colo do útero ou na parte interna da pelve.



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Condições ginecológicas para a dor no sexo


A dor no sexo pode ser um alerta para diferentes condições ginecológicas.


Assim, é muito importante entender o que está gerando esse incômodo.


Abaixo, conheça as principais razões do ponto de vista físico que podem provocar dor durante a relação sexual:


Vaginismo


O vaginismo é uma condição que provoca a contração involuntária dos músculos em torno da vagina, o que impede a entrada do pênis ou provoca sensações dolorosas na mulher.


O sintoma se repete em praticamente todas as circunstâncias em que é necessária entrada de algo dentro da vagina, como na coleta de exames com uso de espéculo ou também realização de ultrassom com probe endovaginal.


Essa situação é comumente percebida em mulheres e pode ter causas distintas, como fatores físicos e psicológicos.


Se você quiser saber mais sobre o vaginismo, temos um artigo no blog que poderá te ajudar!


Vaginite


A vaginite é uma inflamação que atinge a vagina e a vulva e pode ser causada por diversos fatores, incluindo infecção por fungos, bactérias ou vírus, uso de produtos de higiene inadequados, alergias ou alterações hormonais.


Além da dor no sexo, a vaginite pode provocar os seguintes sintomas: coceira, ardor, vermelhidão e secreção vaginal anormal.


Então, ao sentir esses incômodos, é fundamental procurar a Ginecologista e avaliar qual a causa exata  do problema. 


Partos e Cirurgias


Mulheres que passaram por intervenções cirúrgicas abdominais, pélvicas ou perineais podem sentir dor durante o sexo.


Esse desconforto também é comum nas pacientes que se submeteram a cesarianas ou perineoplastias, uma vez que as áreas de cicatrização podem formar aderências e fibroses.


Além disso, mulheres que passaram por episiotomia (corte no períneo) ou lacerações durante o parto também podem sentir dor durante a relação.


Para tratar esse tipo de problema, é possível recorrer à fisioterapia pélvica, medicamentos e, em alguns casos, à cirurgia reparadora.


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Endometriose


A endometriose é uma condição que pode causar dor crônica e ter um grande impacto na qualidade de vida das mulheres.


Essa condição caracteriza-se pela presença do tecido endometrial em locais fora do útero, como no abdome, bexiga, ovários e intestinos, causando inflamação e dor.


A dor durante a relação sexual é um sintoma comum da endometriose, especialmente quando o pênis encosta no fundo da vagina, quando há lesões nesta região especialmente.


Cistite


A cistite é uma inflamação da bexiga que pode ser causada por uma infecção bacteriana.


As mulheres têm uma maior probabilidade de desenvolver cistite devido à anatomia do trato urinário feminino.


Os sintomas da cistite incluem dor ou desconforto ao urinar e dor na parte inferior do abdômen.


Inclusive, é preciso buscar tratamento adequado para prevenir possíveis complicações, como infecções renais.


Infecções sexualmente transmissíveis


As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são condições causadas por microrganismos variados, como bactérias ou vírus.


A transmissão ocorre por via sexual sem proteção, seja oral, vaginal ou anal, com uma pessoa infectada.


Entre as diversas infecções existentes, estão: 



Em alguns casos, a dor durante a relação sexual é um sintoma associado a essas infecções, assim, deve-se diagnosticar corretamente a enfermidade para iniciar o tratamento adequado.


Motivos emocionais para a dor no sexo



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É essencial destacar que a atividade sexual é uma vivência complexa e que abrange não somente a questão física, mas também o lado emocional da mulher.


Se a dor durante a relação sexual se apresentar como algo constante e não houver um motivo físico diagnosticado, é essencial levar em consideração a possibilidade de razões psicológicas.


Confira abaixo alguns fatores que podem impactar a resposta sexual da mulher e tornar o ato desconfortável ou doloroso:


  • Ansiedade ou estresse: gera tensão muscular, o que causa dor durante a penetração;
  • Depressão: diminui o desejo sexual, o que pode afetar a lubrificação da vagina e tornar a relação sexual desagradável;
  • Traumas sexuais ou emocionais: geram uma resposta defensiva do corpo, causando tensão muscular ou até mesmo dor física;
  • Educação prévia muito rígida: conceitos de extrema valorização da virgindade ou até questões ligadas à religiosidade, podem desenvolver impedimentos emocionais em relação ao sexo;
  • Baixa auto estima: a sensação de não se sentir bela ou não se sentir boa o suficiente para aquele relacionamento pode limitar a disponibilidade para a intimidade sexual;
  • Experiências sexuais negativas prévias, que podem se relacionar a relacionamentos abusivos ou não, gerando uma associação negativa a respeito do sexo, podendo impactar negativamente em todos os aspectos da resposta sexual, inclusive como causa de dor;
  • Problemas no relacionamento: falta de comunicação ou respeito e excesso de conflitos abalam a confiança da mulher durante a relação sexual, gerando tensão ou ansiedade, o que pode levar à dor.


Conte com a ginecologista para tratar essa condição



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Ressaltamos que é muito importante que as mulheres não ignorem a dor durante o sexo e busquem ajuda médica assim que perceberem qualquer dificuldade.


Adiar a busca por ajuda médica pode agravar os sintomas e tornar o quadro irreversível.


Assim, uma investigação ginecológica minuciosa é necessária e o tratamento será baseado na causa exata do problema, podendo envolver terapia, medicamentos e mudanças no estilo de vida.


Pode ser necessária a participação ativa de profissionais especialistas em Sexualidade, tais como Ginecologistas, Psicólogos ou Terapeutas Sexuais (Sexólogos), especialmente quando há causas emocionais ou traumas envolvidos.


Além disso, é importante que as mulheres conversem sobre o assunto com sua parceria e com a especialista, a fim de encontrar a melhor forma de lidar com o desconforto e garantir uma vida sexual saudável e prazerosa.


Lembre-se que a saúde sexual é uma parte crucial do bem-estar geral, e é vital cuidar dela com cuidado e atenção.


Então, agende uma consulta com a ginecologista para verificar a causa real da dor durante a relação sexual e receber o encaminhamento correto!


Dra Juliana Ribeiro - Ginecologista em São Paulo

Dra. Juliana Ribeiro

Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Feminina


Ginecologista e Obstetra de formação, eu acredito que informação é a maior forma de poder que podemos ter. Como médica, tenho a missão de trazer a vocês o maior número de informações possíveis, a fim de poder ajudá-las a participar ativamente do cuidado da sua saúde.


Acredito que a prevenção é a melhor escolha sempre e que o engajamento da paciente no tratamento é a melhor forma de ele dar certo.

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