A adenomiose não é uma doença tão conhecida quanto a endometriose, mas assim como a última, pode interferir negativamente na qualidade de vida da mulher.
Esta é uma doença na qual as células do endométrio (que é o revestimento do útero) crescem para dentro da parede uterina, se incrustando no músculo (miométrio), e alterando o seu funcionamento e arquitetura.
Estas células poderão se agrupar na forma de nódulos, chamados adenomiomas, ou somente distorcer a conformação muscular normal.
Em alguns casos, o útero poderá aumentar, duplicando ou triplicando em tamanho.
Normalmente, a doença tende a ocorrer em mulheres entre 35 a 50 anos de idade e os sintomas costumam desaparecer ou diminuir depois da menopausa.
Esta doença costuma ser assintomática em cerca de 35% dos casos o que faz com que muitas mulheres não saibam que possuem o problema, sendo achado ao acaso em exames realizados por outros motivos.
Entretanto, quando os sintomas aparecem, podem causar grande incômodo e dor.
Como principais queixas relacionadas à adenomiose podemos citar as menstruações com fluxo intenso e prolongado e a ocorrência de cólicas, muitas vezes bastante incômodas.
Outro sintoma que pode aparecer é a presença de coágulos no sangue menstrual e sangramentos fora do período menstrual. Tais achados são indicativos de sangramento com volume aumentado, podendo inclusive levar a quadros de anemia, com fraqueza, tontura, indisposição e mal estar.
Além disso, a mulher pode relatar dor indefinida na região pélvica ou sentir pressão na bexiga e no reto. Poderá ocorrer também dificuldades às relações sexuais causadas por dor.
No exame ginecológico, a Ginecologista possivelmente encontrará o útero aumentado uniformemente de volume e por vezes de consistência mais amolecida.
A intensidade dos sintomas estará relacionada com a extensão da adenomiose.
A suspeita da presença de adenomiose se inicia quando a mulher tem algum dos sintomas descritos, e o achado clínico ao exame ginecológico é compatível.
Neste caso, provavelmente serão solicitados exames como a ultrassonografia transvaginal ou menos comumente ressonância magnética.
Ambos os métodos são eficazes, e a ultrassonografia costuma fazer o diagnóstico na maior parte do casos. Podem ser encontrados: útero de tamanho aumentado, heterogeneidade do endométrio, ausência de nódulos sugestivos de miomas ou pólipos endometriais.
Na ressonância magnética veremos também um útero aumentado, perda da zona juncional entre endométrio e miométrio, e permite melhor diferenciação entre leiomiomas e adenomiomas.
De modo geral, a junção do quadro clínico com os achados de imagem são suficientes para fazer o diagnóstico.
Podem ser solicitados ainda exames laboratoriais, para investigar a presença de anemia associada à perda frequente de grandes quantidades de sangue na menstruação.
O tratamento da adenomiose irá depender de alguns fatores, como a distribuição da doença no útero, idade e o interesse da mulher em engravidar.
Caso a mulher não tenha sintomas, não tenha a intenção de engravidar e esteja perto da menopausa, o tratamento pode não ser necessário, somente estando indicado o acompanhamento.
Entretanto, caso a doença cause dores e sangramento aumentado, teremos algumas opções de tratamentos.
Para os casos de pacientes que possuam nódulos de adenomiose ou adenomiose focal, uma cirurgia para retirada das lesões poderá ser feita – miometrectomia ou miometroplastia. Nestes casos, tenta-se remover as lesões, preservando o útero. Há uma melhora nas chances de gravidez e um maior controle dos sintomas da doença.
Entretanto, nem sempre a mulher possuirá os nódulos, podendo ocorrer da doença estar dispersa por todo o útero.
Nestes casos, o tratamento poderá englobar o uso de anti-inflamatórios para controlar a dor e o desconforto, bem como o uso de hormônios para reduzir o fluxo sanguíneo.
Os hormônios poderão ser em forma de pílulas anticoncepcionais orais combinadas ou progesterona isolada, injeção ou implante de progesterona ou Sistema Intrauterino medicado com progesterona (quando o volume uterino não for muito grande).
Podem ainda ser utilizados medicamentos que agem sobre a coagulação, também com intuito de reduzir o fluxo menstrual.
Em caso de anemia, estará indicada alimentação rica em ferro e reposição deste nutriente por medicamentos orais ou venosos, ou mesmo transfusão sanguínea em caso de anemia aguda grave.
Os tratamentos melhoram os sintomas e a qualidade de vida, controlam a doença, mas não são capazes de eliminar as lesões de adenomiose.
Procedimentos minimamente invasivos, tais como ablação endometrial por histeroscopia também podem ser realizados, com bons resultados, porém temporários.
Quando o tratamento clínico não é suficiente ou existe anemia grave persistente, a alternativa mais radical porém definitiva para a adenomiose é a histerectomia – procedimento no qual removemos o útero.
Existem alguns estudos que sugerem que a adenomiose pode ter um impacto negativo na fertilidade da mulher.
De modo semelhante aos miomas, os casos sintomáticos, difusos e com grande alteração da arquitetura interna do útero certamente serão aqueles mais afetados.
Além disso, um estudo de 2017 estima que de 1 a 14% das mulheres com adenomiose terão infertilidade associada. Apesar disso, não existem ainda estudos em larga escala, o que seria ideal para corroborar este fato.
No geral, a adenomiose poderá dificultar a implantação embrionária no útero causando, além da dificuldade de engravidar, casos de abortamento.
Todavia, não existem ainda evidências científicas claras sobre a relação da adenomiose com a infertilidade e qual seria o tratamento ideal.
O que se sabe, é que a doença se apresenta como desafio para os especialistas em fertilidade. Há a necessidade ainda de estudar formas de tratar a doença e ao mesmo tempo restaurar ou preservar a fertilidade.
Para tal, os tratamentos utilizados tendem a ser os já citados, com uso de medicamentos para controle da dor e hormônios para controle das lesões, sendo a cirurgia indicada em casos muito específicos.
Também os estudos do efeito da adenomiose em gestantes são ainda escassos. Porém, existem evidências que a doença poderá gerar alguns malefícios às gestantes, entre eles:
Como os dados científicos não são robustos, precisamos avaliar cada caso individualmente, e não oferecer respostas generalizadas para todas as mulheres.
Adenomiose que não traz sintomas em mulheres que nunca tentaram engravidar não deve ser encarada de antemão como um problema.
Se você tem sintomas compatíveis com este problema, converse com sua Ginecologista !
O post Saiba um pouco mais sobre Adenomiose apareceu primeiro em Dra Juliana Teixeira Ribeiro.
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