Tudo sobre Diabetes Gestacional

admin • 25 de março de 2020
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Quem está grávida, ou planejando ficar, deve ter ouvido falar sobre o diabetes gestacional, condição que algumas mulheres passam durante esse período e que pode causar implicações para o feto e influencia na qualidade de vida durante a gestação.

Neste artigo você vai saber todos os detalhes relevantes sobre o assunto. 

Afinal, o que é diabetes gestacional?

O diabetes gestacional é um estado de aumento da glicose no sangue que surge durante a gravidez, sendo uma condição que geralmente desaparece depois desse período, permitindo que a saúde da mulher volte ao normal. No entanto, acarreta risco futuro de diabetes mellitus.

Fatores de risco para o surgimento de diabetes gestacional

Fatores de risco são situações que aumentam as chances de a mulher vir a ter este problema.

Os mais reconhecidos para o diabetes gestacional são :

  • Antecedentes familiares de diabetes gestacional ou diabetes do tipo 2;
  • Idade acima de 35 anos;
  • Obesidade (IMC superior a 30);
  • Gravidez anteriores com bebês que nasceram com mais de 4 kg;
  • A condição de diabetes gestacional em outra gravidez.

Diabetes gestacional – Como saber se eu tenho? –  Métodos para o diagnóstico

É pouco provável que mulheres com diabetes gestacional tenham os sintomas clássicos do diabetes. A saber:

  • Sede excessiva;
  • Aumento do volume da urina;
  • Náuseas;
  • Cansaço;
  • Vista turva;
  • Presença de glicose acentuada na urina.

O diagnóstico do diabetes gestacional é feito através de exames específicos realizados durante o pré natal.

Todas as gestantes devem ser rastreadas, pois é uma doença que acarreta grande risco materno e fetal, e com o tratamento adequado estes riscos podem ser minimizados e até evitados.

O exame inicial é a glicemia de jejum realizada no início da gestação. Valores maiores ou iguais a 92 mg/ml fazem o diagnóstico. Caso a glicemia seja maior ou igual a 126 mg/dl, o diagnóstico é de diabetes pré gestacional ou overt diabetes , ou seja, diabetes que começou antes da gravidez mas somente agora foi diagnosticado.

Resumindo:

Exame no início do pré natal
Valor de Glicemia Interpretação
< 92 mg /dl normal
 92 – 125 mg/dl diabetes gestacional
⋝ 126 mg/dl overt diabetes

Caso este primeiro rastreamento seja normal, ou seja, ausência de diabetes gestacional, entre 24-28 semanas de idade gestacional está indicado o segundo rastreamento, através da realização da curva glicêmica.

Gestantes com antecedente de cirurgia bariátrica não devem realizar curva glicêmica, sendo então adotada outra estratégia para o rastreamento do segundo trimestre.

Após o parto considera-se que houve resolução do diabetes gestacional. Entretanto, essas mulheres têm risco aumentado para desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Cerca de 8 semanas depois do parto está indicada uma nova análise sanguínea, a fim de verificar se o diabetes se resolveu completamente ou se a paciente persiste com diabetes, quando então será considerada portadora de diabetes tipo 2.

Tenho diabetes gestacional – O que isso pode causar a mim ou ao meu bebê? – Consequências do diabetes gestacional

Apesar de a maioria das mulheres com diabetes gestacional ter bebês normais e saudáveis, é preciso atentar para o fato de que isto é consequência direta do adequado controle dos níveis de glicose.

Não existem associações entre a presença de diabetes gestacional e o surgimento de malformações do feto (diferentemente dos casos de diabetes pré gestacional – tipo 1 ou 2 com mau controle).

Porém, outros problemas podem acontecer:

  • Bebês maiores do que o esperado para a idade gestacional, dessa forma, aumentam as chances de precisar de um parto induzido ou de uma cesariana 
  • Excesso de líquido amniótico, aumentando o risco de parto prematuro e dificuldade também no trabalho de parto
  • Pré-eclâmpsia
  • Óbito fetal intrauterino
  • Baixa do nível de açúcar, a chamada hipoglicemia no recém-nascido, logo nas primeiras horas de vida, com aumento do risco de convulsões;
  • Icterícia precoce, com necessidade de fototerapia (banho de luz).

Todas estas complicações acontecem naquelas gestantes que não conseguem controlar os níveis de açúcar no sangue. E, como visto, apesar de afetarem a mãe, as principais consequências são para o bebê.

Além disso, o diabetes gestacional pode aumentar o risco da mãe desenvolver diabetes tipo 2 e do bebê desenvolver a condição na idade adulta.

Como é possível controlar o diabetes gestacional?

Com medidas preventivas, mesmo na presença de fatores de risco, pode-se tentar evitar que o diabetes gestacional aconteça. 

É necessário controlar o ganho de peso durante a gravidez através de uma alimentação equilibrada e prática de atividades físicas.

Quem preenche os fatores de risco, deve levar essas orientações ainda mais em conta.

Mesmo com esses cuidados, é possível que ainda assim o diabetes apareça. Ajuste na dieta e na prática dos exercícios físicos são a primeira linha de tratamento.

Caso as medidas iniciais não levem a um controle adequado, passamos a necessitar de tratamento medicamentoso, que pode ser feito com insulina ou metformina.

Quando a glicemia atinge os valores adequados é muito pouco provável que as complicações do diabetes aconteçam.

Tratando o Diabetes gestacional – Alimentação

O mais importante quando o assunto é a alimentação é manter refeições frequentes e com alimentos com baixo índice glicêmico, ou seja, alimentos que são absorvidos mais lentamente e liberam glicose para o sangue de modo mais lento.   

Com esta estratégia os níveis de açúcar no sangue são mantidos de forma mais estável.

É recomendada a realização de três refeições principais e três ou quatro lanches: café da manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar, ceia.

Alimentos a serem evitados:

  • chocolates;
  • bolos;
  • massas;
  • pães;
  • batata inglesa;
  • arroz branco;
  • refrigerantes;
  • sucos de caixinha;
  • alimentos ultraprocessados em geral;

Alimentos permitidos:

  • pães e cereais integrais;
  • fibras;
  • feijões, lentilha, grão de bico;
  • frutas com baixo índice glicêmico – maçã, pêssego, pêra;
  • vegetais não amiláceos;
  • folhas em geral;
  • peixes, carnes, ovos;
  • nozes e castanhas;
  • legumes.

Idealmente a melhor estratégia deve ser avaliada por Nutricionista com experiência em gestantes e diabetes.

Tratando o Diabetes gestacional – Atividade física

Neste aspecto o principal é adaptar o tipo de atividade física à idade gestacional e ao estilo de vida da paciente.

O tipo e intensidade dos exercícios pode variar a depender se a gestante já pratica ou não alguma atividade, se possui alguma outra doença e se há algum outro fator de risco para a gravidez.

A atividade deve ser sempre supervisionada por educador físico capacitado para o atendimento de gestantes.

Tratando o Diabetes gestacional – Controle da glicemia

Para saber se o tratamento está funcionando é necessário controlar os níveis de açúcar no sangue diariamente.

Isso é feito através da realização de testes de glicemia capilar: a gestante fura a ponta do dedo e realiza a quantificação do açúcar do sangue com uso de um aparelho específico chamado glicosímetro.

Essas medidas devem ser realizadas de quatro a oito vezes por dia, dependendo do tipo de tratamento utilizado, e anotadas.

Se num período de tempo predeterminado as glicemias estão fora do valor esperado em mais que 30% das medidas, isso pode ser um indicativo de que a estratégia não está funcionando e há necessidade de tratamento adicional.

O controle do crescimento do bebê e da quantidade de líquido amniótico são acompanhados com ultrassonografias periódicas, e também são utilizados como parâmetro de eficácia do tratamento.

Tratando o diabetes gestacional – uso de medicações

A insulina é a medicação mais estudada e mais segura para tratamento do diabetes na gestação. 

Ela promove a redução da glicose no sangue ao facilitar a sua absorção pelas células e reduzir a produção de glicose pelo fígado. 

Pode ser usada em qualquer etapa da gestação e no pós parto também.

Outra opção seria o uso de metformina, que age através da redução da produção de glicose pelo fígado, diminuição da absorção de glicose pelo trato digestivo e facilitação na ação da insulina produzida pelo nosso pâncreas.

Geralmente é reservada para casos de diabetes gestacional com uso de altas doses de insulina ou em diabetes pré gestacional, quando a mãe já usava esta medicação antes de engravidar.

Há ressalvas no seu uso na gravidez porque ainda não existem estudos de longo prazo avaliando o seu efeito em crianças de mães que fizeram seu uso. Com os dados disponíveis até o presente momento, não parece haver risco.

Em resumo…

Diabetes gestacional é uma perturbação no equilíbrio da glicose no sangue durante a gravidez que pode trazer consequências ao bebê e à mulher.

O tratamento é seguro e com o controle adequado podemos minimizar os riscos ao máximo.

A realização de um pré natal bem feito é fundamental para a realização do seu diagnóstico e promoção de uma gestação saudável.

Você está gestante? Já fez os seus exames de rastreamento de diabetes?

Converse com sua obstetra!

Dra Juliana Ribeiro - Ginecologista em São Paulo

Dra. Juliana Ribeiro

Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Feminina


Ginecologista e Obstetra de formação, eu acredito que informação é a maior forma de poder que podemos ter. Como médica, tenho a missão de trazer a vocês o maior número de informações possíveis, a fim de poder ajudá-las a participar ativamente do cuidado da sua saúde.


Acredito que a prevenção é a melhor escolha sempre e que o engajamento da paciente no tratamento é a melhor forma de ele dar certo.

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