Será que eu sou ninfomaníaca?

admin • 13 de setembro de 2021
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Você sabe o que significa ser ninfomaníaca? O desejo sexual há anos é questionado e devemos avaliar cada situação com cuidado e sem julgamentos.

Neste texto falamos um pouco mais sobre o assunto!

A ninfomania, conhecida nos termos médicos como hiperatividade sexual, é um distúrbio psiquiátrico no qual a mulher tem um desejo compulsivo por sexo.

Então, ela passa a ter um padrão de comportamento sexual similar a outros vícios e torna-se incapaz de controlar seus impulsos. Dessa forma, as relações sexuais se tornam repetitivas e intensas, porém sem prazer e seguidas de sintomas depressivos e culpa.

Devemos destacar que a hiperatividade sexual também pode ocorrer nos homens, mas recebe o nome popular de satiríase.

Apesar dos impulsos sexuais serem naturais, a compulsão sexual afeta a capacidade da pessoa de viver normalmente, podendo afetar desde seu relacionamento até a produtividade no trabalho.

Além disso, os indivíduos nestas condições passam a ter maiores chances de contraírem Infecções Sexualmente Transmissíveis, já que podem ter um número elevado de parceiros e ter relações desprotegidas.

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Esta condição gera uma série de impactos negativos para a mulher que tem queda significativa da qualidade de vida e bem-estar.

Quais as causas da mulher ser ninfomaníaca?

No geral, não conhecemos todas as causas da ninfomania e existem diversas teorias a respeito do que pode desencadear este vício sexual.

Acredita-se que ela possa ocorrer graças a uma alteração em alguns neurotransmissores causada por problemas psicológicos ou físicos.

Além disso, a ninfomania pode ser um sintoma de outros problemas de saúde, como o transtorno bipolar, ansiedade, depressão, demência, ou pode até ser um efeito colateral de certos medicamentos que afetam a dopamina.

Ainda hoje, o diagnóstico deste vício é discutido, pois diversos especialistas acreditam que há uma linha muito tênue entre um impulso sexual ativo saudável e um comportamento patológico.

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Como fazemos o diagnóstico?

O diagnóstico da hipersexualidade é bastante complexo e deve ser feito pelo médico psiquiatra. Assim, se recebemos uma paciente no consultório com indicativo deste problema, fazemos o devido encaminhamento.

Devido ao fato de ainda existirem muitos desacordos sobre a hipersexualidade, esta doença não foi incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).

Apesar da proposta de inclusão ter apresentado os critérios a serem utilizados para o diagnóstico, os especialistas acreditaram que não havia evidências empíricas suficientes.

Um estudo publicado no The Journal of Sexual Medicine avaliou estes critérios propostos e concluiu que eles parecem demonstrar alta confiabilidade e validade quando aplicados nos pacientes em um ambiente clínico por profissionais com o devido treinamento.

De acordo com os critérios propostos, podemos diagnosticar uma pessoa com o distúrbio de hipersexualidade se ela apresentar as seguintes condições:

A – Por um período de pelo menos 6 meses, a paciente deve ter fantasias, impulsos e comportamentos sexuais recorrentes e intensos associados com quatro ou mais dos seguintes critérios:

  • Os comportamentos consistentemente interferem em outras atividades e obrigações;
  • Comportamentos ocorrem em resposta a estados de humor disfóricos (ansiedade, depressão, tédio, irritabilidade) ou eventos estressantes da vida;
  • Esforços consistentes, mas malsucedidos para controlar ou reduzir fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais;
  • Envolver-se em comportamentos sexuais ignorando o potencial de dano físico ou emocional para si ou para os outros;
  • A frequência ou intensidade de fantasias, impulsos ou comportamentos sexuais causam sofrimento ou deficiência significativa

B – Há sofrimento ou prejuízo pessoal, social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida graças à frequência e intensidade dessas fantasias, desejos e comportamento.

C – Essas fantasias, impulsos e comportamentos sexuais não ocorrem devido a efeitos fisiológicos diretos de substâncias exógenas (por exemplo, abuso de drogas ou medicamentos), associadas a outras condições médicas, ou a episódios maníacos.

D – A pessoa tem pelo menos 18 anos de idade.

Além disso, é importante ressaltar que como comportamento sexual não falamos somente de relações sexuais físicas entre duas pessoas, mas também a masturbação, pornografia, sexo virtual, sexo por telefone e clubes de strip.

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E como fazemos o tratamento?

Uma vez que este distúrbio pode ter diversas causas diferentes, é essencial fazer uma avaliação criteriosa da paciente para, então, definir o tratamento adequado.

No geral, a mulher deverá fazer um acompanhamento psiquiátrico e psicológico, com sessões de terapia cognitiva-comportamental ou psicodinâmica.

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O objetivo é ajudá-la a identificar os gatilhos que desencadeiam os seus comportamentos e conseguir adotar estratégias para alterar suas ações.

Pode ser necessário também o uso de medicamentos que ajudem a controlar o comportamento obsessivo e aliviar os sintomas da ninfomania.

No geral, muitas mulheres que são ninfomaníacas sofrem, mas não buscam auxílio por vergonha. Assim, a doença acaba evoluindo e tomando proporções insuportáveis.

Do ponto de vista ginecológico é importante individualizar o cuidado, de acordo com o tipo de prática sexual e gênero/quantidade das parcerias sexuais da mulher.

Pode ser necessário tratar lesões causadas por estímulo genital frequente, rastreamento repetido e/ou tratamento para infecções sexualmente transmissíveis.

Então, se você se identifica com o que explicamos aqui, saiba que existem profissionais prontos para te ajudar.

Não deixe de cuidar da sua saúde física e mental!

Dra Juliana Ribeiro - Ginecologista em São Paulo

Dra. Juliana Ribeiro

Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Feminina


Ginecologista e Obstetra de formação, eu acredito que informação é a maior forma de poder que podemos ter. Como médica, tenho a missão de trazer a vocês o maior número de informações possíveis, a fim de poder ajudá-las a participar ativamente do cuidado da sua saúde.


Acredito que a prevenção é a melhor escolha sempre e que o engajamento da paciente no tratamento é a melhor forma de ele dar certo.

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