Entendendo a Pré-eclâmpsia

admin • 8 de setembro de 2019
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A pré-eclâmpsia é uma doença que pode ocorrer durante a gestação, sendo também conhecida como doença ou síndrome hipertensiva específica da gravidez (DHEG/ SHEG).

O problema costuma ser diagnosticado por volta da vigésima semana de gestação e precisa ser tratado para que a gravidez continue da melhor forma possível.

Pode acontecer mais precocemente, antes da vigésima semana, em associação com a doença trofoblástica gestacional, que será tema de outro post.

O que é a pré-eclâmpsia

A pré-eclâmpsia ocorre quando a mulher passa a ter pressão arterial elevada, geralmente isso ocorre a partir da vigésima semana de gestação e pode permanecer até 12 semanas após o parto. Quanto mais cedo na gravidez a pré eclâmpsia se desenvolve, costuma estar associado a uma maior gravidade do caso.

Doença hipertensiva gestacional é uma das principais causas de morte materna no Brasil e no mundo, em conjunto com as síndromes hemorrágicas e processos infecciosos.

Outras alterações também são percebidas nessa condição, como o excesso de proteína na urina e edemas.

Essa condição pode ser precursora do quadro de eclâmpsia, que é um tipo de convulsão tônico clônico generalizada associada à hipertensão na gravidez e menos comumente após o parto e pode trazer sérias consequências para a gestante e o feto.

Por isso, ao se diagnosticar a pré-eclâmpsia o tratamento precisa ser seguido rigorosamente, visando evitar suas possíveis complicações , como: eclâmpsia, síndrome HELLP, edema agudo de pulmão, AVC, infarto agudo do miocárdio, dissecção de aorta, descolamento prematuro de placenta, coagulação intravascular disseminada, atonia uterina, hemorragia periparto, rotura hepática, insuficiência renal aguda, óbito. Do ponto de vista fetal as principais complicações possíveis são: restrição de crescimento intrauterino, insuficiência placentária manifestada com alterações da dopplervelocimetria e/ou alterações na quantidade de líquido amniótico, sofrimento fetal crônico ou agudo, prematuridade, óbito fetal intra-útero.

Qual a causa da pré-eclâmpsia?

A causa desse problema de saúde ainda é desconhecida, mas alguns especialistas acreditam que a pré-eclâmpsia começa na placenta, que é o órgão responsável pela nutrição do feto durante toda a gestação.

Para nutrir o feto é preciso que ocorra a formação de novos vasos sanguíneos, que evoluem para enviar sangue para a placenta, mas nas mulheres com pré-eclâmpsia já se observou que esses vasos não se desenvolvem da maneira esperada.

Isso pode acontecer por alguns problemas, entre eles:

  • Fluxo sanguíneo insuficiente para o útero;
  • Danos aos vasos sanguíneos;
  • Questões genéticas;
  • Problemas no sistema imunológico materno.

Fatores de risco da pré-eclâmpsia

Alguns fatores contribuem para que uma mulher tenha mais chances de desenvolver pré-eclâmpsia na gestação, entre eles:

  • Histórico familiar ou pessoal de pré-eclâmpsia;
  • Ser a primeira gestação;
  • Gravidez múltipla;
  • Idade superior aos 35 anos.

Mulheres que já são portadoras de outras doenças também apresentam risco mais elevado de desenvolver pré-eclâmpsia, tais como: obesidade, diabetes pré gestacional, hipertensão arterial crônica, lupus, síndrome de anticorpos antifosfolípides e outras trombofilias e doenças renais são fatores que aumentam o risco de que a mulher desenvolva esse quadro.

Sintomas de pré-eclâmpsia

A elevação da pressão arterial não costuma apresentar nenhum sintoma, podendo ocasionar uma pressão perigosamente alta sem que a mulher perceba.

Por isso, a melhor forma de avaliar sua saúde e identificar a pré-eclâmpsia é mantendo as visitas regulares ao obstetra durante sua gravidez com aferição da pressão arterial em todas as consultas.

Obedecer ao cronograma estabelecido para as consultas de pré natal irá proporcionar o acompanhamento adequado de todas as etapas da gravidez.

Assim, a pré-eclâmpsia ou qualquer outra doença que possa afetar a qualidade de vida durante a gestação poderá ser identificado de maneira eficiente e rápida para evitar complicações na gestação.

A pré-eclâmpsia pode apresentar sintomas que são muito sutis, que muitas vezes se confundem com sintomas normais da gravidez. Alguns sintomas que podem ser notados e merecem atenção, devendo ser relatados ao obstetra são:

  • Ganho de peso maior que 1 quilo em uma única semana;
  • Inchaço generalizado, envolvendo a face, mãos e pés;
  • Diminuição da frequência urinária;
  • Falta de ar;
  • Dor abdominal, especialmente na região epigástrica;
  • Visualização de pontinhos brilhantes (escotomas cintilantes);
  • Dor de cabeça em pressão, especialmente na região posterior da cabeça.

Quando os sintomas da pré-eclâmpsia aparecem, especialmente a tríade – dor epigástrica, escotomas cintilantes e dor de cabeça – geralmente o problema já está agravado e podemos estar frente a uma situação que representa risco de vida para a gestante e para o feto. 

Na vigência desses sintomas deve ser procurado atendimento médico imediato.

E o tratamento?

O tratamento definitivo da doença é o parto. Com o término da gravidez e a retirada da placenta os sintomas costumam se resolver. Entretanto, como a hipertensão pode ser diagnosticada muito cedo, temos que tentar minimizar os riscos fetais de um parto prematuro ao mesmo tempo que pese o risco materno de se manter com uma forma grave de pré eclâmpsia.

Dieta com quantidade reduzida de sódio para aquelas mulheres que ingerem sal em excesso, uso de medicações anti hipertensivas, controle frequente da pressão arterial e avaliações periódicas de bem estar fetal fazem parte do arsenal terapêutico.

Como evitar a pré-eclâmpsia?

Uma vez que a causa específica da doença ainda não foi 100% estabelecida, não temos medidas 100%  eficazes para prevenir o seu desaparecimento. No entanto, muito já se foi descoberto ao longo das últimas décadas.

As recomendações mais atuais indicam a realização de um screening para pré eclâmpsia, já no início da gravidez. Este teste de rastreamento se baseia na avaliação de fatores de risco materno, aferição da pressão arterial, dosagem de alguns marcadores no sangue e avaliação da dopplervelocimetria durante o ultrassom morfológico do primeiro trimestre.

Para aquelas mulheres identificadas como de alto risco com base neste teste combinado está recomendada a utilização de ácido acetilsalicílico 150 mg por dia, com início entre 11 e 15 semanas de gestação e manutenção do uso até 36 semanas. Esta estratégia foi capaz de reduzir em quase 70% o risco de desenvolvimento de pré eclâmpsia.

Outras estratégias possíveis são: suplementação de cálcio para aqueles grupos que ingerem menos cálcio do que o recomendado, uso de anticoagulantes apenas para populações específicas e prática constante e supervisionada de atividade física.

Tive pré-eclâmpsia e não tive complicações. E agora? 

Os estudos também mostram que os efeitos vasculares podem se perpetuar, mesmo após muitos anos do parto, levando a estas mulheres a ter um risco aumentado de se manter ou vir a ser hipertensas e a um risco cardiovascular aumentado no futuro.

Isso implica em maior chance de vir a ter eventos circulatórios como AVC e/ou infarto.

Tendo isso em mente, fica a orientação : se você teve pré eclâmpsia, mesmo que não complicada, mantenha um estilo de vida saudável:

  • Alimentação balanceada;
  • Controle de peso adequado;
  • Evitar tabagismo e etilismo;
  • Atividades físicas supervisionadas regulares, para acumular um mínimo de 150 minutos por semana.
Dra Juliana Ribeiro - Ginecologista em São Paulo

Dra. Juliana Ribeiro

Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Feminina


Ginecologista e Obstetra de formação, eu acredito que informação é a maior forma de poder que podemos ter. Como médica, tenho a missão de trazer a vocês o maior número de informações possíveis, a fim de poder ajudá-las a participar ativamente do cuidado da sua saúde.


Acredito que a prevenção é a melhor escolha sempre e que o engajamento da paciente no tratamento é a melhor forma de ele dar certo.

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