Cirurgia de Alta Frequência – CAF

admin • 4 de fevereiro de 2020
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Você sabe o que é Cirurgia de Alta Frequência (CAF)

Esse é um procedimento que vem sendo utilizado amplamente e em todo o mundo para o tratamento de lesões intraepiteliais no colo uterino.

É um procedimento rápido e seguro, que pode ser realizado até mesmo no consultório médico, com anestesia local.

Nesse artigo, você terá mais informações sobre o assunto, aprendendo:

  • O que é a cirurgia de alta frequência;
  • Quando é realizada;
  • Como é feito o procedimento;
  • Recuperação pós operatória; 
  • Seguimento após o procedimento.

A CAF é uma modalidade de tratamento cirúrgico minimamente invasivo, no qual uma fonte de energia é acoplada a um eletrodo que é usado para dissecar, cortar ou cauterizar.

Em Ginecologia é usada basicamente no tratamento de lesões intraepiteliais (lesões dentro das células da camada epitelial, de tamanho geralmente muito reduzido) do colo uterino.

Pode ser realizada no consultório com anestesia local ou no centro cirúrgico com anestesia regional ou geral (sedação), com internação e alta no mesmo dia. Permite que a mulher retorne precocemente às suas atividades diárias, e é praticamente isenta de sintomas pós operatórios.

Com o mesmo uso do CAF, existe a conização com bisturi frio, e o laser também pode ser utilizado com o mesmo intuito.

Essas modalidades de tratamento excisional permitem a retirada da lesão do colo uterino e envio do fragmento para estudo anátomo-patológico, permitindo adequado diagnóstico da lesão e garantindo a retirada completa da mesma. Diferente das modalidades destrutivas (cauterizacão elétrica ou química ou crioablação), na qual a lesão é destruída sem possibilidade de realização deste tipo de estudo.

Indicações

O CAF é indicado para o tratamento de lesões epiteliais do colo uterino ou como uma biópsia ampliada, para melhor esclarecimento diagnóstico.

 Algumas das principais indicações são:

  • Citologia com achado de LIEAG (lesão intraepitelial de alto grau) ou AGC (atipia de células glandulares de significado indeterminado) ou ASC H (atipia de células escamosas quando não se pode afastar a presença de lesão de alto grau) sem correspondência com achado colposcópico, como forma de esclarecimento diagnóstico;
  • Citologia com achado de AIS (adenocarcinoma invasor) e colposcopia sem achados sugestivos de invasão, como forma de esclarecimento diagnóstico;
  • Biópsia de colo uterino com achado que não afaste a possibilidade de invasão, como forma de esclarecimento diagnóstico.
  • Biópsia de colo uterino com achado de NIC (neoplasia intraepitelial cervical) II ou NIC III, como forma de tratamento excisional da lesão;
  • A depender da indicação do procedimento, pode estar indicada excisão mais ou menos ampla.

(Colo após 3 meses do CAF)

(Colo após 1 ano do CAF)

(Excisão de lesões ectocervicais e endocervicais)

(Excisão de lesões ectocervicais e endocervicais real)

Como é feito o procedimento?

Independente de onde seja realizado, no consultório ou no centro cirúrgico, a técnica do CAF é a mesma. Quando realizado no consultório o mesmo é precedido pela aplicação de anestésico local no colo uterino.

A paciente fica em posição ginecológica, e com visão colposcópica, que permite visualizar o colo uterino com aumento de até 40x, e uso das soluções de ácido acético e shiller, realiza uma colposcopia para determinar a extensão da lesão imediatamente antes do procedimento.

A cirurgiã utiliza a alça diatérmica curva apropriada para o tamanho da lesão, devidamente conectada a uma fonte de energia e fazendo um movimento látero-lateral ou crânio caudal, remove a área afetada. A peça é então identificada para que o patologista possa identificar corretamente a localização da lesão.

Quando a lesão se estende para o canal endocervical é utilizada a seguir uma alça quadrada menor, para remoção adicional dessa região.

O colo uterino residual é então cauterizado, para que não haja sangramento residual.

O procedimento inteiro dura no máximo, em média, 30 minutos. Não requer passagem de sondas ou cateteres , e a taxa de complicações é muito baixa.

A maioria das mulheres apresenta um pouco de dor transitória pela injeção do anestésico local no colo uterino (quando realizada). Hemorragia perioperatória grave ocorre em até 2% dos procedimentos da CAF. O risco de infecção pós operatória é praticamente nulo e não há necessidade do uso de antibióticos por via oral, de modo geral.

(Colo Normal – Estrutura da Ectocervix CT : Tecido conectivo BM : Membrana Basal L1 : Células basais L2 : Células parabasais L3 : Células intermediárias L4 : Células superficiais L5 : Células de Discamação)

Recuperação de uma cirurgia de alta frequência.

A recuperação da CAF é bastante simples e não exige que nenhuma atitude drástica seja tomada, além de evitar relações sexuais pelo período de, em média, trinta dias após o procedimento – ou conforme recomendação médica.

Além disso, nos dias que seguem a cirurgia de alta frequência , pode-se perceber a saída espontânea de uma secreção – e até mesmo de sangue. A saída de sangue assusta algumas mulheres, mas não tende a ser um problema.

Se o sangramento for extenso em volume ou se durar vários dias, é preciso voltar a procurar o profissional para que se analise a necessidade de voltar a apostar na eletrocoagulação, caso algum vasinho tenha se rompido.

Porém, é muito raro que isso seja realmente necessário e a recuperação da CAF tende a ser simples e rápida.

Em suma, esse tipo de cirurgia se mostra em uma grande evolução para o que costumava ser visto no passado, trazendo maior conforto e soluções rápidas e práticas para mulheres que sofrem com as mais diversas lesões e doenças.

Conforme dito, seu custo é baixo, sua eficiência é alta e o sofrimento da paciente é quase que eliminado. Por isso, é importante consultar sua médica para saber se ela pode ser uma possibilidade para você.

Sabendo tudo sobre a cirurgia de alta frequência , não deixe de marcar uma consulta pessoalmente com sua profissional de escolha para tirar toda e qualquer dúvida que possa surgir sobre o procedimento. 

Fonte: Colposcopia e tratamento da neoplasia intra-epitelial cervical: Manual para principiantes, J.W. Sellors & R. Sankaranarayanan https://screening.iarc.fr/colpochap.php?lang=4&chap=13.php

Dra Juliana Ribeiro - Ginecologista em São Paulo

Dra. Juliana Ribeiro

Ginecologia, Obstetrícia e Saúde Feminina


Ginecologista e Obstetra de formação, eu acredito que informação é a maior forma de poder que podemos ter. Como médica, tenho a missão de trazer a vocês o maior número de informações possíveis, a fim de poder ajudá-las a participar ativamente do cuidado da sua saúde.


Acredito que a prevenção é a melhor escolha sempre e que o engajamento da paciente no tratamento é a melhor forma de ele dar certo.

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